
Uma certa vez, uma jovem estava a ler um livro e se apaixonou pela história... quis entrar no livro e ser a personagem que amava e era amada, vivia a liberdade, fazia tudo que gostava sem ninguém impedir. Queria ser essa personagem e encontrar o seu amado ao entardecer à sombra do jequitibá, no meio do campo verde, e ouvir suas palavras de amor, trocar mimos e promessas... Nunca havia lido uma história de amor tão linda, tão intensa... era mesmo um conto de fadas. Não acreditava que pudesse viver isso algum dia, mas suspirava ao imaginar. E somente isso ela fazia...
Um dia a passeio pelas ruas da cidade, achou de encantar-se com um par de luvas e entrou na loja para compra-las. Satisfeita com suas compras, não notara que na saída o livro caíra ao chão. Logo um rapaz que passava percebeu o descuido da moça, mas não conseguiu chamar a atenção da mesma. Porém, havia um garotinho que o tranqüilizou dizendo que entregava jornal na casa da moça e que poderia entregar o livro. O homem então entregou o livro ao garoto, mas queria saber se o livro seria mesmo entregue, então resolveu deixar um bilhete para a dona: "Senhorita, deixaste cair este livro que parece ser de grande estima para vós. Para garantir a entrega do mesmo, gostaria de que me respondesse. Estou de passagem pela cidade, mas poderias me escrever e me parece ser um livro interessante, poderias também me falar sobre ele."
Ela o respondera agradecendo e contou com certa empolgação a história que tanto admirava. Ele cada vez mais se identificava com o personagem, os pensamentos... os ideais... a vontade de se dedicar a amada... As aventuras, como gostaria ter aventuras como o personagem daquela história de honra, coragem e amor...
Os dois continuavam se comunicando e falavam sobre a história, desvendavam coisas juntos, imaginavam situações para os personagens e divertiam-se. Cada vez mais ficavam ansiosos pelas cartas de ambos, e quando demorava a chegar, era uma aflição só. Às vezes, discutiam... não concordavam um com o outro a respeito de seus personagens, mas era natural. Um certo dia... ela deixou escapar que queria ser aquela jovem do livro mas achava impossível e ele quis saber mais. Começavam então a falar mais um do outro, abrindo seus corações, compartilhando segredos... Ele descobriu nela uma jóia rara... e ela, continuava sem acreditar em "contos de fadas", como sempre se referia quando ele tocava no assunto. Ele acreditava amá-la, e declarou-se para ela com as mais belas palavras, deixando-se levar pela essência daquele personagem que morreria por sua amada, que deixou tudo só para tê-la novamente em seus braços, para sentir novamente aqueles lábios macios e carinhosos. Descobriu-se amando como naquele conto e queria viver de verdade aquilo com a sua amada, que era real.
Ela ainda custava a acreditar, mas sentia sim algo significativo por ele. (continua)
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